Dor crônica: quando o cérebro é o inimigo
Entenda por que esse problema, que afeta entre 30% e 40% dos brasileiros, e que agora tem atendimento integral pelo SUS, não deve seguir um padrão de tratamento
Você sente, mas não há causa aparente. Dor crônica é uma interpretação equivocada do cérebro. Não está relacionada ao tecido e deve ser tratada como doença. Por ser algo complexo, prolongado e aflitivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, no início de junho, a Lei 15.422/26, que determina que pacientes com esse problema passem a ter o direito de atendimento integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Essa mesma lei determina, ainda, que 5 de julho seja o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica. Afinal, isso é mais comum do que se imagina. Calcula-se que entre 30% e 40% da população adulta brasileira sofre desse tipo de dor, fazendo com ela seja considerada um grave problema de saúde pública.
Em termos de comparação, diferentemente da crônica, a dor aguda é mais simples de ser identificada e tratada, pois existe uma causa bastante perceptível.
“Normalmente, a dor aguda está relacionada a alterações dos tecidos biológicos, podendo ser articular, muscular ou de algum órgão, por exemplo, durando menos de três meses”, diz a fisioterapeuta Bruna Massaroto.
A complexidade da dor crônica também pode ser explicada por dois mecanismos associados a ela: o neuropático e o nociplástico. A dor neuropática crônica é causada por uma lesão ou doença neural, enquanto a dor nociplástica crônica é fruto de um processo disfuncional, relacionada à interpretação do estímulo.
Não existe uma única forma de tratamento, mesmo considerando recursos como medicamentos e fisioterapia, porque a avaliação leva em conta o estilo de vida de cada pessoa. Em outras palavras, é uma experiência sensitiva e emocional individualizada.
“Devemos partir do princípio de que ninguém é apenas um tecido. É preciso decifrar o histórico de dor e de lesões, a maneira como cada pessoa lida com elas, além de características como a qualidade do sono, alimentação e estado emocional, que acabam interferindo no processo”, diz Bruna.
Segundo a fisioterapeuta, só a partir dessa análise mais ampla, é possível monitorar a dor e determinar o melhor tratamento. Essas particularidades explicam o fato de algumas pessoas serem mais ou menos sensíveis a ela.
Há quem passe por esse processo e viva relativamente bem, assim como há quem não consiga sequer se movimentar ou praticar exercícios físicos por conta de um quadro de cinesiofobia, que é o receio ou o medo que a dor aumente. Como se percebe, definitivamente não é algo simples de resolver, ainda que haja recursos.
Quem é
Bruna Massaroto –
Fisioterapeuta graduada pelo Centro Universitário Sant’Anna (UniSant’Anna), pós-doutora, doutora e mestre em ciências da reabilitação pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e especialista em treinamento funcional pela Universidade Estácio de Sá. Também é professora em cursos de pós-graduação, atleta e palestrante.
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